Me vesti de coragem e fui...

05 junho, 2016

Desmanchei as cordas, lancei-me no barco e me pus a remar. Sem saber onde essas águas agitadas iriam me levar.  Só fui, porque fazia tempo que queria fazer essa viagem.

Tola eu, de achar que o navegar por esses líquidos seria em tons de calmaria, aliás, nunca foi, nem mesmo o “andar em terras firmes’’, porque agora seria diferente. Não é mesmo?

Eu não sabia o jeito certo de remar, mesmo assim me arremessei naquela estremecida torrente barranqueira. Fui… Peito aberto, coração na mão e um frio dos bons, feitos borboletas saltitantes no estômago.

Me pus a remar, porque o vento conspirava a favor, e nessas horas continuar remando é a única coisa que se pode fazer.

Em umas dessas ribanceiras em que a canoa passou, vi minha face projetada no espelho d’água, fiquei-me a olhar e possivelmente na distração, não avistei a nebrina, o olhar ficou turvo e eu quase pedir o controle. Para ser exata, por algumas horas, pedir a direção do leme.

Com o balanço das ondas, eu quase cair do barco, eu até pensei em pular, eu desisto fácil, você sabe. Aquela furiosa tempestade quase me tirou o chão, ela não passava nunca, provavelmente continua aqui, em cima da minha cabeça.

Mas sabe, tenho aprendido que afundar é uma possibilidade quando se estar a remar. Mas eu também descobrir, que no meio de um naufrágio é possível nadar.

Enquanto tiver forças, é preciso continuar a remar, porque a viagem embora algumas vezes se apresente de forma turbulenta, nunca vai ser atoa, no fim se descobre que vale apena.

Quando se avistar o farol e chegar o tempo de atracar o barco. Eu quero descobrir que esta jornada valeu apena, mesmo que tenha sido para a possibilidade do encontro com a minha futura ‘‘eu’’

 Que por mim valeu apena.

2 comentários:

  1. Lindo texto! <3
    Estou procurando um sentido para essa jornada também.

    Me chama de Bella

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  2. Mas sabe, tenho aprendido que afundar é uma possibilidade quando se estar a remar. Mas eu também descobrir, que no meio de um naufrágio é possível nadar. uau que profundo mais esse texto de uma certa forma define bem você Leila você nunca estar satisfeita parece que tem sempre algo a mais que te chama e te convida a viver coisas grandiosas como se arriscar no desconhecido ou ir para uma cidade que você nunca foi e não conhece ninguém essa é a Leila que eu conheço alma de pássaro aventureira determinada e que não tem medo de dar voos altos.

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